Não é crime passional, nem mera questão textual: é Feminicídio. Basta! Não queremos mais chorar pelas mortes de Elizas, Eloás e Mayaras, queremos mudanças. Vamos levar a discussão sobre feminicídio para cada canto do Brasil! Conheça a campanha e saiba como agir para cobrar ações efetivas de prevenção das mortes motivadas pela discriminação de gênero.






O QUE É FEMINICÍDIO


Se você pensou em um primeiro momento que Feminicídio é quando morre uma mulher, você está no caminho certo. É por aí mesmo, mas tem um agravante: a morte é causada em razão da condição do sexo feminino. Ou seja, mulheres que perdem suas vidas por serem mulheres. Essa é uma realidade que vemos com frequência nos noticiários pernambucanos. Todos os dias tem alguém com medo de ser a próxima vítima do machismo que mora ali ao lado ou dentro da própria casa. O termo Feminicídio foi utilizado pela primeira vez nos anos 70, mas só começou a ganhar corpo nos anos 2000, após muita luta para que se reconhecesse a violência de gênero como um tipo de crime com motivações específicas, que vão além da comum ambientação das violências doméstica e familiar.

Somente em 2015 conquistamos a Lei nº 13.104/2015, mais conhecida como Lei do Feminicídio, e hoje representa uma importante ferramenta na luta pelo reconhecimento da dimensão que tem a violência contra a mulher na sociedade brasileira. Para nós, seu principal mérito é tirar o problema da invisibilidade. Estamos falando da criação de uma nova modalidade de homicídio qualificado, ou seja, que torna hediondo (tratado mais rigidamente pelas leis penais) o assassinato de mulheres quando o crime envolve violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Enquanto um homicídio simples tem a pena de 6 a 20 anos de reclusão, o Feminicídio tem pena prevista de 12 a 30 anos de reclusão. Possui como suas motivações mais recorrentes o ódio, o desprezo ou o sentimento de perda do controle sobre as mulheres, comuns em sociedades marcadas pelo machismo e pela misoginia (ódio às mulheres), assim como da associação da figura da mulher a papéis inferiores e submissos. O Feminicídio é o ponto final da violência contra a mulher. O fim da linha. O fim de uma vida.

Quando tratamos do assunto enquanto previsão legal, estamos tratando de uma conquista histórica, onde a condição feminina é tratada de maneira especial considerando o contexto sociocultural. Nesse sentido, louvamos a existência do reconhecimento de mulheres trans como mulheres passíveis de Feminicídio. Foi no Estado de São Paulo que a justiça recebeu a primeira denúncia nesses moldes. Ser Mulher é muito mais que nascer biologicamente assim.

Em nosso Estado, o período mais violento no espaço de uma década. Só nesse ano de 2017 tivemos um aumento de 31,8% no número de mortes de mulheres em comparação com o mesmo período em 2016. Mulheres cis* e trans estão perdendo vidas e tendo suas histórias interrompidas, mas Elas não serão esquecidas. Mas a gente só enfrenta o que conhece, só previne do jeito certo as problemáticas que temos o mínimo de domínio sobre os elementos que as compõe. A partir da informação poderemos pautar o aprimoramento das políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher, e empoderar umas às outras pela vida de todas nós. É pela vida das mulheres!
*Cis é prefixo latino, abreviação para cisgênero, significa 'do mesmo lado'. A pessoa cis é aquela que reivindica ter o mesmo gênero que o que lhe registraram quando ela nasceu.

Referências:
http://www.agenciapatriciagalvao.org.br | https://www.significados.com.br/feminicidio/ | Diretrizes Nacionais Feminicídio | Não me Kahlo

FEMINICÍDIO: QUANDO UMA MULHER MORRE APENAS POR SER MULHER


LINHA DO TEMPO DOS DIREITOS DA MULHER

COMO MORRE UMA MULHER*
Informações do contexto brasileiro retiradas do Mapa da Violência (2015)






* Título retirado de: Portella, AP. Como morre uma mulher? Configurações da violência letal contra mulheres em Pernambuco. Tese de Doutorado. PPGS/UFPE. Recife, 2014. Disponível para download em: https://www.academia.edu/12268697/Como_morre_uma_mulher_Configurações_da_violência_letal_contra_mulheres_em_Pernambuco




QUANTAS HISTÓRIAS A MAIS TEREMOS QUE CONTAR?
QUEM SOMOS E O QUE QUEREMOS


Todos os dias vemos a mídia noticiar casos de mortes violentas de mulheres. "Ela procurou", eles dizem. "Ela não se deu valor", eles dizem. "Foi crime passional", eles dizem. Mas nós viemos aqui para dizer em alto e bom som: Não é crime passional, é Feminicídio! Estamos diante de um problema grave em uma das épocas mais perigosas para se ser mulher em nosso Estado. É importantíssimo que demos visibilidade a essas mortes de mulheres cis e trans, crimes hediondos resultantes de uma cultura machista que oprime e tira a vida de tantas de nós, cidadãs pernambucanas. A maioria das políticas públicas voltadas atualmente com a temática de violência contra a mulher, assim como essa, tem foco na categorização e remediação do problema, não em sua prevenção. Só que informação é poder e essa campanha veio para mudar o rumo dessa história. É através da mobilização que chegaremos lá!

Queremos menos vidas destruídas e histórias trágicas. Queremos mais mulheres empoderadas de seus direitos e vivas!
As Redes Meu Recife e Minha Igarassu são instituições 100% formadas por mulheres que acreditamos em um Pernambuco mais seguro para as mulheres é mais seguro para todo mundo. Precisamos de você para tornar esses objetivos em realidade.
Junte-se a nós! #IssoÉFeminicídio